>>>Vetados para turismo
El Nido encontra-se na província filipina de Palawan.

Vetados para turismo

A democratização do turismo tem um lado obscuro. O excesso de visitantes pode levar ao controle e fechamento de alguns dos lugares mais visitados do planeta. Mas não se preocupe: há alternativas.
C

inque Terre tornou-se um lugar imperdível na Itália, quinto país mais visitado do mundo, depois de as redes sociais e as revistas de viagens compartilharem como nunca uma bonita foto de suas casas coloridas incrustadas em um penhasco à beira-mar. Em 2015, a região foi visitada por 2,5 milhões de pessoas. O que não é muito se comparado aos 9,7 milhões de visitantes recebidos pelo Museu do Louvre de Paris (França). No entanto, é uma cifra excessiva para cinco pequenos povoados ligados por uma única estrada.

“Pode parecer um pouco excêntrico querer reduzir o número de turistas, mas, para nós, é uma questão de sobrevivência; não há dúvidas de que seremos criticados, mas vamos ter de limitar essa quantidade a 1,5 milhão”, disse o diretor do Parque Nacional de Cinque Terre, Vittorio Alessandro, ao jornal “La Repubblica”. Colocadas em prática no verão de 2016, as restrições incluem medidas como fechar a rodovia em caso de ocupação turística máxima e permitir o uso dos trens locais apenas por quem tenha entradas resevadas. “Sem esse tipo de intervenção, Cinque Terre seria asfixiada por um turismo tão sufocante.” A alternativa é visitar locais próximos e cheios de encanto como Tellaro, Sestri Levante, Lerici, Camogli ou Portovenere.

Manarola, Cinque Terre, Italia
Um aplicativo vai permitir conhecer, em tempo real, a quantidade de visitantes em cada povoado de Cinque Terre.

Renovação da eterna Roma

A grife Bulgari investiu 1,5 milhão de euros, aproximadamente 5,3 milhões de reais, na restauração das escadarias da Piazza di Spagna, um dos lugares mais frequentados por turistas na capital italiana. Para evitar danos futuros e manchas de alimentos, pediu que fosse fechada durante a noite.

Cinque Terre não foi o único lugar que denunciou os efeitos prejudiciais do turismo de massas. O branqueamento dos corais funcionou como um alerta para a superexploração turística das ilhas Marietas, no Pacífico mexicano, e de Koh Ta Chai, na Tailândia. Isso porque a popularidade do arquipélago de Similan, no mar de Andaman (costa tailandesa), reside em suas águas transparentes e fundo coralino, ideais para mergulhar na companhia de raias e tubarões-leopardo.

Nesta ocasião, contudo, o fechamento anual de abril a novembro não foi suficiente. As autoridades proibiram totalmente a visitação até novo aviso. Assim, se quiser explorar a beleza das praias e do fundo marinho do sul da Tailândia, é só optar por outras ilhas menos conhecidas, entre elas Koh Racha Yai e Koh Lanta.

Snórkel en Koh Ta Chai, Tailandia
Mergulhadores poderão entrar em zonas específicas de Koh Ta Chai (Tailândia), mas operadores turísticos arriscarão suas licenças se desembarcarem na ilha.

Uma boa notícia foi o caráter passageiro do encerramento das ilhas Marietas, já que 50% de sua riqueza submarina danificada já está recuperada. No entanto, a entrada para a Praia do Amor, uma das maiores atrações desta zona mexicana da Riviera Nayarit, será limitada a 116 pessoas por dia, de quarta a domingo. A atividade sustentável alternativa é uma nova trilha aberta na ilha Larga para a observação de aves.

Playa del Amor o Hidden Beach
No México, os visitantes só poderão ficar na Praia do Amor, também conhecida como Hidden Beach, por 30 minutos.

As Filipinas ainda são consideradas um destino asiático emergente, mas já enfrentam situações parecidas. O país considera fechar a ilha Shimizu, área popular para a prática de mergulho em Bacuit Bay, por um período de quatro a seis anos. Mas essa atividade vai continuar sendo permitida em outros seis lugares ao redor de El Nido, área mais famosa da região e que costuma receber 80.000 visitantes anuais. A natureza efêmera da beleza nunca foi tão evidente.

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