Jardim da África do Sul
road trip africana passa por trilhas e florestas mágicas à beira de falésias sobre praias selvagens. É conhecida como a Rota Jardim, ‘Tuinroete’ em africâner, mesmo havendo mais elefantes do que rosas em seu trajeto. Atravessa uma estreita faixa costeira entre o oceano Índico e as montanhas que isolam o sul da África do Sul do deserto de Karoo. Um passeio ao volante recortado pelas falésias e passarelas suspensas sobre o mar que permite apreciar esta beleza primitiva.
Os 200 quilômetros da estrada N2, entre Mossel Bay e Storms River, concentram a maior parte das paisagens, embora viajantes contemplativos saiam da Cidade do Cabo e continuem durante 800 quilômetros até Port Elizabeth, destino de praia propenso a esportes aquáticos e onde acabarão com dedos enrugados devido à vela, ao surfe e ao mergulho.

Animais fantásticos e onde encontrá-los
Ao longo desta rota, é possível ver elefantes em seu ambiente natural, tanto no Knysna Elephant Park como no Addo Elephant Park. No entanto, o país não vive apenas dos “cinco grandes”. A costa sul de África do Sul também é lar de pinguins e golfinhos. Outra possibilidade é avistar baleias francas austrais entre julho e dezembro, sobretudo em Tsitsikamma.
A primavera (a partir de setembro) é a melhor estação para encarar esta rota. Depois das chuvas, o “jardim” brilha em todo seu esplendor. Florescem proteas, margaridas e o ‘fynbos’, vegetação típica da África do Sul que se caracteriza por plantas de folhas finas, criando um contraste multicolorido com a zona desértica vizinha. Não há períodos pouco recomendáveis para a viagem, já que o país possui o segundo clima mais temperado do mundo, depois do Havaí, com temperaturas que não descem dos 10ºC no inverno nem superam os 28ºC no verão.
A Rota Jardim vivenciou conflitos no comércio de madeira e a procura de ouro dos colonos bôeres. Estes fizeram das florestas tropicais de Knysna o seu lar e a sua forma de vida no século XIX, algo que a escritora sul-africana Dalene Matthee retratou em seus “romances da floresta”. Toda uma defesa literária para a conservação das florestas autóctones com personagens como o lenhador Saul Barnard.

A vida contada nos textos de Matthee já não existe, mas ainda é possível ouvir entre as árvores o característico ‘kow kow’ do turaco, ave exótica nativa de plumagem verde e crista e asas vermelhas. Lenhadores foram substituídos por andarilhos e aventureiros. Descem os rios em caiaques ou passeiam sobre as árvores de tirolesa no parque nacional Garden Route.
Este último se divide em três seções: Wilderness, Knysna Lakes e Tsitsikamma. Em Knysna, começam os caminhos Woodcutter’s Walk e Millwood Mine Walk, entre cataratas e árvores gigantescas centenárias. Duas falésias de arenito, conhecidas como “cabeças”, vigiam a entrada para a lagoa de Knysna a partir do mar. Com a Rota Jardim, esta localidade costeira se transformou em um animado centro turístico cheio de restaurantes e opções de lazer como o festival das ostras, de forma geral celebrado em julho.
Percorrer as florestas a pé ou a cavalo é mais uma opção em linha com o espírito das obras de Matthee, mas a rota acrescenta novas experiências ao caminho, como mergulhar com tubarões brancos nas águas da Mossel Bay protegido por uma jaula. A fauna variada, que inclui elefantes selvagens e santuários de animais como Jukani, contribui para engrandecer a lenda desta road trip.
Os desvios são um ingrediente essencial do trajeto. As cavernas de Cango, labirinto de maravilhas subterrâneas e a atração turística mais antiga da África do Sul, ficam perto de Oudtshoorn, onde se aglomeram fazendas de avestruzes. As praias de Plettenberg Bay, por sua vez, atraem surfistas e, mais recentemente, enoturistas. As mais recentes atrações da rota são os vinhedos de Bramon, outra prova de que é impossível fazer a Rota Jardim sem parar. Mesmo que não seja para sentir o perfume das rosas.








