
Fotogenia comestível: a dieta do século XXI
e é verdade que “somos o que comemos”, para 2020 haverá mais unicórnios do que pessoas. A culpa é da unicorn food, tendência gastronômica que pinta tudo de tons pastel e purpurina. E quando dizemos tudo, é tudo mesmo. A geleia das torradas, o queijo derretido do sanduíche, bolos, macarons, vitaminas e, claro, os toppings que agora coroam os batidos (de rosquinhas até pirulitos). A unicorn food chega às manchetes dos jornais e até o Starbucks lançou uma edição limitada do seu frapuccino na versão “unicórnio”, ou seja, azul e rosa chiclete e polvilhado de pós “mágicos”. No entanto, a cadeia norte-americana não foi a primeira (nem será a última) a se juntar à modada fantasia comestível.
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Os coloridos potes de vidro da Caked A tornaram-se virais no efêmero Instagram Stories. Decorados com chifres dourados e orelhas de unicórnio, estes batidos são o item mais pedido do seu cardápio, ainda que os bolos de arco-íris não fiquem atrás. Em Chino Hills (Califórnia), servem doces caseiros com o objetivo de “tornar os outros felizes”. Não muito longe, em Anaheim, a Creme & Sugar especializou-se em chocolate quente de unicórnio, bebida que vem coberta com muitas nuvens e a mesma essência happy. Voltado para o verão, estreia o menu que segue a outra tendência mitológica da temporada: a mermaid food.
A “moda sereia” está à espreita há cerca de dois anos. Primeiro foi o mermaid hair, com Kylie Jenner na liderança. A irmã mais nova das Kardashians conseguiu nos convencer de que pintar o cabelo de azul era boa ideia. Em seguida, vieram as academias de sereias: não bastava o cabelo; queríamos nos sentir “como sereias na água”. Adeline Waugh, criadora de Vibrant & Pure, levou a febre marinha à mesa ao passá-la no pão no lugar da manteiga. As redes sociais não demoraram em dar voz às suas criações. Fantasia para o café da manhã – por acaso existe melhor dieta?
Se você sente que o nível de açúcar no sangue sobe muito com tanto bolo e purpurina, não se preocupe, o Stendhal culinário nem sempre é doce. Na verdade, desde que descobrimos que sua onda são as gorduras saudáveis, costuma ter gosto de abacate. E quem não ficou com água na boca ao olhar para seu inexplicável verde pistache? A Pantone o escolheu como a cor de 2017 e os foodies obedeceram à tendência incluindo-a em inúmeros pratos. No início do ano, surgiu um restaurante em Amsterdã onde esta fruta/verdura é a grande protagonista. Seu nome é The Avocado Show e utiliza o abacate como pão de hambúrguer, como tigela para o homus e para dar cremosidade extra a todas as suas sobremesas.
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Nem todos compartilham este hype pelo abacate. Em outubro do ano passado, um cronista australiano disse que era a razão pela qual os millennials não podiam ter casa. Bernard Salt criticava o brunch hipster por excelência: abacate amassado em uma torrada de cinco cereais com queijo feta por cima, como o que oferece o Little Loco, em Brisbane (Austrália). “Como os jovens conseguem comer algo assim? (…) Esses 22 dólares podiam ser muito bem economizados para a entrada de uma casa.”
Assim somos nós, os millennials. Preferimos os abacates e os unicórnios aos bens materiais.








