>>>A febre verde contagia
Foto: ©Choose Chicago

A febre verde contagia

São Patrício, o patrono da Irlanda, nasceu na Escócia, por isso não se importará que se celebre a sua festividade fora da Ilha Esmeralda.
Levou o cristianismo para a Irlanda, libertou a ilha das serpentes e colocou na moda o trevo de três folhas. Estes três ‘feitos’, tão diferentes entre si, são atribuídos a São Patrício, patrono da Irlanda, mas nascido em Nothern Roman Britain (Escócia).
Na verdade nunca houve serpentes na ilha. Trata-se de uma metáfora para falar do paganismo que o santo erradicou. E o shamrock (trevo de três folhas) São Patrício usava-o para explicar, aos irlandeses, o mistério da Santíssima Trindade.
Em Nova Iorque esta tradição começou com um desfile militar, em 1762.
Foto: Stuart Monk / Shutterstock.com

Verde azulado

Embora falemos da ‘febre verde’, e esta por excelência é a cor das celebrações atuais, nem sempre foi assim. A tradição começou, em 1680, graças aos trevos. De fato, São Patrício costumava vestir-se de azul, cor que se mantém nos escudo do país.

O santo, aos 16 anos, foi capturado pelos piratas e levado para a Irlanda para ser vendido como escravo. Conseguiu fugir e viajou para França para se preparar para a vida monástica. Só regressou à Irlanda depois dos 46 anos, dedicando o resto da vida à evangelização do país. Morreu em 17 de março de 461. Desde então, esta data é celebrada como festividade religiosa, embora só o seja oficialmente desde 1903. Nos anos 60 a lei permitiu aos pubs abrir durante o Dia de São Patrício, conferindo ao dia um caráter muito mais lúdico. O verde dos trevos estendeu-se a centenas de países, principalmente àqueles onde chegou a diáspora irlandesa.
Em Chicago leva-se muito à letra o ritual de se vestir de verde. O Chicago River tinge-se com esta cor durante os primeiros momentos das celebrações, que costumam durar cerca de três dias. A tradição começou em 1961, quando um encanador manchou o rio de forma acidental. Desde então, um barco imita-o, borrifa um pó corante de origem ecológica. Com três desfiles durante o dia de São Patrício, Chicago considera-se a si mesma “a cidade mais verde do mundo”. Durante a semana, a empresa The Shamrock encarrega-se da iluminação dos edifícios e monumentos mais icônicos da cidade.
Outro dos edifícios que se veste de verde, por causa de São Patrício, é o Empire State Building, de Nova Iorque. O desfile da Big Apple é o maior dos que se organizam um pouco por todo o mundo e costuma juntar dois milhões de espectadores. Percorre a Quinta Avenida e dura seis horas. O segundo maior, em importância, é o de Boston, onde uma quarta parte da população possui sangue irlandês.
A febre verde faz-se notar em quase cada recanto do planeta. Festeja-se em lugares como Vancouver e Montreal (Canadá), Birmingham (Inglaterra), Moscou (Rússia), Auckland (Nova Zelândia) e até na ilha de Montserrat (Bahamas). No século XVII este pequeno recanto do Caribe converteu-se no refúgio dos católicos irlandeses, perseguidos noutras ilhas vizinhas. Durante uma semana organizam festejos que misturam as heranças africanas e irlandesas da ilha.
Em Moscou organizam-se mais de 120 eventos para celebrar o dia do patrono irlandês.
Foto: Alexander Tolstykh / Shutterstock.com
As canecas com cerveja de cor verde conseguem-se colocando um pouco de corante azul na cerveja loira.

Artigos relacionados

O sonho de Gary Nader

O museu LAAM, em Miami, vai abrir as portas no final de 2016. O objetivo é tornar-se na mais importante...

Bodrum, Saint-Tropez da Turquia

É o “paraíso de azuis eternos”, segundo Homero. Dez séculos depois, a cidade portuária turca atrai, por outros motivos, curiosos,...

Paris às escuras

Há um lugar onde não chegam as luzes da Torre Eiffel, nem os néons do Moulin Rouge. Pegue uma lanterna...

O eterno guardião do porto

Para trás ficaram as guerras, assédios e façanhas bélicas. O velho San Juan de Puerto Rico não só resiste, como...