>>>A breve e assombrosa vida de Bowie
Foto: Jan Versweyveld-10, Sophia Anne Caruso

A breve e assombrosa vida de Bowie

David Bowie, o Duque Branco, não morreu, nem está a caminho do espaço: continua em Nova Iorque, no Soho, entre livrarias, teatros e salas de espetáculos.
A
 breve e assombrosa vida de Oscar Wao, de Junot Díaz, é um dos livros que Bowie comprou na McNally Jackson Books, uma das suas livrarias preferidas. Tal como a The Strand Books, onde Whitney Hu, diretora de marketing, recorda como o músico, apesar de tentar passar despercebido, “emitia eletricidade”. “Estava sempre sozinho, para que se respeitasse a sua vida privada, para não fazer uma cena com os turistas, mas quando pedia um livro, era agradável e encantador.” Por isso o Camaleão continua em Nova Iorque. Em 1969 Space Oddity lançou-o para o estrelato. Oriundo de Brixton, Londres, estreou em 1972 no Carnegie Hall, famoso espaço nova-iorquino que, desde que abriu as portas em 1891, acolheu compositores como Rachmaninoff e políticos como Martin Luther King.
A vida é demasiadamente curta para não comer nem beber bem, diz este estabelecimento, Bottega Falai, onde Bowie gostava de ir.

Esta noite sonhei com Bowie

“Ia num trem e ele sentou-se ao meu lado. Falamos de fotografia, disse-me que prefere uma 35 mm”. Conversas, conselhos e recitais privados. Os seguidores de Bowie compartilham no fórum Dreams about Bowie como o Duque lhes aparece em sonhos.

Como numa inquietante coincidência da vida, Carnegie Hall e The New York Times anunciaram, algumas horas apenas antes da sua morte, um concerto com temas de Bowie. Era janeiro e estava programado para 31 de março. Não era um tributo, esperava-se a sua presença. Mas a vida e a morte tinham outros planos.
“Vivi em Nova Iorque mais do que vivi em nenhum outro lugar. É surpreendente: sou nova-iorquino”, comentara uma década atrás. Por isso, quando no último 10 de janeiro faleceu aos 69 anos, os seus vizinhos do Soho, em Manhattan, encheram as ruas de flores e de música. O apartamento que compartilhava com a sua esposa, no n.º 285 da Lafayette Street, é desde então um lugar de peregrinação.
A pegada de David Bowie ultrapassou fronteiras, assim como o merchandising em torno do músico.
Foto: Jorge Cotallo
Viveu os primeiros anos em hotéis como o Gramercy Park Hotel e o The Sherry-Netherland. “Seria bastante pavoroso viver agora em qualquer outra cidade dos Estados Unidos da América que não fosse Nova Iorque”, declarou em 2002. Depois apaziguou-se. Centrou-se na criação. Ia ao Booth Theater e ao New York Theatre Workshop. Neste último foi representada Lazarus, obra que adaptou com Enda Walsh, do romance O homem que caiu na terra, de Walter Tevis. O Washington Square Park era também um dos seus lugares prediletos. Terminava os passeios em Dean & DeLuca, Bottega Falai, Caffe Reiggio e Olive’s, locais de um roteiro emocional próprio.
O proprietário da Strand Books ainda se lembra de quando Bowie passeava pela loja. As suas roupas não passavam despercebidas.
O seu último trabalho, Blackstar, fica como epitáfio. Rock com aroma a jazz.You know who I am”, “Sabes quem sou”. As suas letras retratam-no, como os livros que comprou, os lugares onde escolheu viver.

Artigos relacionados

Festejando como Gatsby

El personaje creado por Scott Fitzgerald hubiera sido el perfecto anfitrión de la Jazz Age Lawn Party: un ‘viaje’ a...

É verdade que Nova York nunca dorme?

A hiperatividade da “cidade que nunca dorme” é contagiosa. Quando existem tantas opções para passar a noite em branco, quem...

Restaurante muda de cara segundo a estação do ano

Com a troca das estações, o restaurante Park Avenue altera o cardápio, a decoração e até o nome.

Nova York para além dos arranha-céus

Longe da agitação de Manhattan, o estado norte-americano tem muito para oferecer. Descubra a faceta desconhecida de Nova York.