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Paisagens marcianas para futuros astronautas

O projeto Mars One oferece uma viagem a Marte sem regresso. Se não se sente propriamente um herói, mas gostaria de experimentar as paisagens marcianas, saiba que há alternativas na Terra.
Marte está na moda. Desde 14 de dezembro passado, com os olhos postos no planeta vermelho, a NASA aceita candidaturas de aspirantes a astronauta. Em setembro de 2015, Jim Green, o diretor de ciências planetárias da NASA, afirmou que “sob certas circunstâncias, encontrou-se água líquida em Marte”. Esta tímida afirmação explora a possibilidade real de que o planeta seja capaz de acolher vida.
Petrified Forest apresenta uma das maiores concentrações de bosque petrificado do mundo, perto de Dakota do Norte, Argentina e Egito.
Ridley Scott, com Matt Damon, no ano passado, transportou o assunto para o grande ecrã. O projeto Mars One pretende fazer a contratação de astronautas, não sem controvérsia, do tipo de reality show, orquestrado pelo holandês Bas Lansdorp. O objetivo é estabelecer, em 2016, uma colônia humana em Marte.
Como já se sabe que as coisas do espaço levam o seu tempo, a Terra, entretanto, oferece experiências alternativas. O deserto de Atacama, no Chile, é uma das paisagens terrestres que mais fazem lembrar as condições difíceis do planeta vermelho. É o deserto mais seco do
Zabriskie Point é perfeito para contemplar o amanhecer ou o entardecer.
planeta. A Cordilheira da Costa, com uma altura de 2500 metros, impede a entrada de umidade neste lugar com temperaturas extremas. De dia podem alcançar os 40ºC e, à noite, o termômetro pode chegar a 0ºC. Sem abandonar ainda o Cone Sul, a Argentina também possui algumas paisagens dignas de aparecer numa superprodução de ficção científica. Por exemplo, o Parque Nacional de Talampaya, a noroeste do país (La Rioja). Uma superfície de 215 mil hectares, praticamente despovoada, com uma sucessão de planícies, canhões e desfiladeiros de cor avermelhada.
O Parque Nacional Namib-Naukluft possui uma extensão aproximada de 50 000 km2. É o maior da África e o quarto maior do mundo.
Os Estados Unidos têm duas paisagens com aspecto extraterrestre. O Petrified Forest, no Arizona, e Zabriskie Point, no Parque Nacional Death Valley, na Califórnia. O primeiro é conhecido pelos seus troncos fósseis, mas se o que procuramos é uma paisagem marciana, então o Deserto Pintado é o local indicado, graças à sua diversidade de minerais. Zabriskie Point é o acesso ao chamado Vale da Morte. Um miradouro com vistas para a beleza deserta deste parque, onde é conveniente chegar prevenido com água, porque o calor costuma ser implacável.
Nas Ilhas Canárias (Espanha) a semelhança com Marte é evidente. Em Lanzarote encontra-se o Parque Nacional de Timanfaya, uma superfície originada por diversas erupções vulcânicas ocorridas durante os séculos XVII e XVIII, que configuraram extensões amplas de magma solidificado, planícies de lapili, cones vulcânicos de tons avermelhados, ocres, alaranjados e negros.
Neste mesmo país, a NASA esteve a investigar formas de vida extremas nas águas de um pequeno rio de cor vermelha, o Rio Tinto (Huelva). A diferente tonalidade da água deste rio é provocada pelo óxido dos metais que se extraem dos jazigos próximos e também pelo ácido sulfúrico.
Na África, Dead Viei, o ponto mais árido do Parque Namib-Naukluft, na Namíbia, considerado o deserto mais antigo do planeta, com dunas altíssimas, tem um aspeto bastante marciano. Há mais de 900 anos foi um oásis cheio de acácias. Com a seca também secaram as árvores ficando apenas os troncos petrificados, o que torna a paisagem inquietante.

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