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Kotor, a (ex) grande desconhecida

Descubra Kotor, uma das cidades medievais mais desconhecidas da Europa. Seja o primeiro a desbravar este lugar que está a caminho de se tornar um famoso destino turístico.
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ames Bond nunca esteve em Montenegro. Ainda assim, o hotel Splendido de Kotor quase teve de pendurar o aviso de “lotado” após a estreia de “007 – Casino Royale”. As cenas que se passam na “nova pérola do Adriático” foram, na realidade filmadas na República Tcheca. Contudo, quem viajou até o hotel da baía de Kotor em busca dos cenários do filme não se decepcionou. No lugar do agente 007, havia um paraíso por explorar.
A praça de Armas recebeu esse nome no período veneziano por ser o local onde as armas eram reparadas e armazenadas.
Foto: Nightman1965 / Shutterstock.com

Os negócios, melhor em família

Em 1700, o moinho da família Stari Mlini abastecia os habitantes de Kotor com farinha. Três séculos depois, outra família abriu um restaurante “com encanto” junto ao moinho, prometendo cozinha ‘gourmet’ e vistas para a baía. Além disso, os clientes do Stari Mlini podem atracar seu barco na marina do estabelecimento.

Em 1979, sofreu um terremoto de apenas dez segundos que destruiu grande parte do seu centro histórico e danificou 1600 monumentos. Mesmo assim, o lugar foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que ajudou a reconstruir a maior parte de seus tesouros. Alguns, como a catedral de São Trifão, já tinham passado por isso. A igreja românica do século XII foi erguida em honra ao padroeiro da cidade sobre um templo anterior. A restauração mais radical, depois do terremoto de 1667, deixou-a com duas torres novas de estilo barroco. A catedral concentra muitos dos estilos arquitetônicos que foram modelando a cidade e que são o reflexo de sua história atribulada. Kotor integrou o Império Bizantino, e foi Justiniano I quem mandou construir suas muralhas com mais de quatro quilômetros de extensão. Suas ruas, palacetes e ‘piazzas’ (praças) também conservam a marca do seu passado veneziano.
Terremotos e invasões transformaram seu centro histórico em um labirinto único: um conjunto desordenado de ruas de pedras, lojas de artesanato e cafés. A praça de Armas é a mais importante e abriga a torre do Relógio, diante da qual estão os palácios Bizanti e Beskuca. Ambos pertenceram a famílias ricas no passado, ainda que, paradoxalmente, não tivessem uma grande fortuna. O conde Jozo propôs a si mesmo ser o dono de cem casas. O mais curioso é que seu sobrenome, Beskuca, significa “sem casa”. Chegou até a mudar de nome, mas nem assim conseguiu cumprir a promessa.
Os pratos do restaurante Stari Mlini tem produtos locais e marisco fresco do mar Adriático.
A fortaleza de Santo Ivan fica no alto das mulharas e, para chegar lá, é preciso subir 1500 degraus. Mas o esforço compensa, já que seu mirante tem as melhores vistas de Kotor. Os telhados vermelhos das casas chamam a atenção entre as montanhas e o mar que as rodeia. As chamadas “bocas de Kotor”, braços ramificados de uma baía que se adentra na cidade fortificada, são conhecidas como o golfo mais extenso do sul da Europa, embora não seja realmente um fiorde. Seu porto continua solitário, ainda alheio aos grandes cruzeiros turísticos que navegam pela Costa Dálmata.
A cidade é rodeada por montanhas como o monte Lovcen, o “monte negro” que dá o nome ao país.
Foto: Ranko Maras

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