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Sherry Minnard | Professora e diretora de programas de ioga

“Sou uma guerreira da ioga”

Sherry Minnard abandonou o caos nova-iorquino para ser professora de ioga no Rajastão, no ashram gerenciado por Surajnath Siddh. Ambos ensinam como viajar até a calmaria física e mental.

Texto: Guadalupe Rodríguez y Patricia Gardeu | Fotografias: Kreativa Visual | Vídeo: Kreativa Visual

A
s árvores farão de você uma pessoa inteligente se passar tempo suficiente na floresta.” Esta foi a frase que Sherry Minnard ouviu de sua mãe quando criança e que reverberou em sua mente em meio à agitação de Nova York, seus três filhos e o estresse profissional do dia a dia. Tanto que, um certo dia, não se reconheceu na própria pele. Foi então que decidiu começar do zero. “Não gostava da minha vida nem do meu trabalho e decidi fazer uma viagem à Índia”, confessa Minnard. Um caminho que, ainda que desconhecido, viria a se tornar seu atalho para a felicidade. Chegou a um ashram – espaço onde, segundo a tradição hinduísta, aprende-se ioga e meditação – do Rajastão, berço da antiga civilização indiana e terra de “santos, siddhas (professores) e sadhus (monges)”.
“As árvores farão de você uma pessoa inteligente se passar tempo suficiente na floresta.” Esta foi a frase que Sherry Minnard ouviu de sua mãe quando criança e que reverberou em sua mente em meio à agitação de Nova York, seus três filhos e o estresse profissional do dia a dia. Tanto que, um certo dia, não se reconheceu na própria pele. Foi então que decidiu começar do zero. “Não gostava da minha vida nem do meu trabalho e decidi fazer uma viagem à Índia”, confessa Minnard. Um caminho que, ainda que desconhecido, viria a se tornar seu atalho para a felicidade. Chegou a um ashram – espaço onde, segundo a tradição hinduísta, aprende-se ioga e meditação – do Rajastão, berço da antiga civilização indiana e terra de “santos, siddhas (professores) e sadhus (monges)”.
Inicialmente, a falta de espaço era asfixiante. A soperlotação do território indiano – o dobro da população dos Estados Unidos distribuída por metade de sua área – e um estilo de vida baseado na compartilhamento de tudo, da cama à comida, iam de encontro ao espírito individualista ocidental. “Via isso como invasivo até compreender que fazia parte da minha formação”, recorda. A angústia existencial durou pouco. “A principal lição que aprendi é que, na realidade, não precisamos de nada”. Ela completa: “Posso sobreviver e ser feliz sem nada; por isso, quando olho para trás, para a vida que tinha em Nova York, percebo o quanto estava cheia de desperdícios”.  
“Aprendi que não precisamos de nada.”
Sherry Minnard doing yoga.
Para a iogue, mudar de nome é como “assumir uma nova identidade espiritual”.
A região de Marwar é uma das mais antigas da Índia. “É bonita mas intocável, impossível de colonizar”, afirma Minnard sobre seu atual lar. “O colonialismo não atingiu o norte, perto da fronteira paquistanesa; por isso, não há muita influência do ocidente”, explica. Porém, ela ressalta: “Está para chegar”. A iogue destaca que, apesar de a influência ocidental ser cada vez maior, ainda se vive um ambiente “tradicional semelhante ao do século XV no que se refere à roupa das mulheres, ao trabalho…” E acrescenta: “Temos muitas escolas católicas britânicas, há a influência do vestuário ocidental e a necessidade de falar inglês”. “É uma maneira natural de estar em contato com a terra e isso nos mantém com saúde, vivendo uma vida simples e sem muitas coisas materiais”, destaca Minnard. Outro dos ensinamentos adquiridos é que, enquanto as pessoas “só precisam de três dias para abandonar um hábito negativo”, incorporar novos costumes exige “uns 21 dias”. Períodos de tempo que se adaptam à duração da viagem de quem costuma visitar a Índia movido pelo turismo espiritual. Os retiros do país costumam ter de 14 a 21 dias e estar voltados para a aprendizagem de ioga, a meditação e o cuidado com o corpo e a mente.
Sherry Minnard with a sculpture.
Ela começou a dar aulas de ioga após o nascimento do seu filho, há 25 anos.
“A Unesco protege a ioga como tradição e patrimônio da Índia, promovendo a vinda de turistas com esta finalidade”, explica Minnard, que recomenda sua prática não só para quem está experimentando uma crise existencial, mas também para quem procura ser mais feliz, “adquirindo um estilo de vida iogue” (mesmo que não seja na Índia). Por isso, embora recomende “ir à fonte” para começar, reconhece que ninguém “precisa deixar a própria vida de lado para abraçar a ioga em um ashram indiano”. “Você pode fazer isso com um pouco de treino, um guru adequado e os ensinamentos corretos.”  
“O que está acontecendo na Índia poderia mudar o mundo.”
“Temos potencial para nos aproximar das pessoas: o que está acontecendo na Índia poderia mudar o mundo”, explica a professora, que considera que o futuro está no encontro entre Ocidente – “com seu sistema, tecnologia e propaganda” – e Oriente. “Temos a ioga, grandes professores e interesse em educar”, adiciona. “Não inventamos nada, utilizamos práticas antigas. Somos apenas mensageiros, pessoas com habilidades e uma paixão por ajudar os outros. Sou uma guerreira da ioga.” Para ela, qualquer pessoa que seja capaz de procurar essa felicidade e “ajudar o mundo a se curar” será também “uma guerreira da ioga”.
Surajnath Siddh is the director of the centre.
Surajnath Siddh fez mestrado em psicologia da ioga.

Surajnath Siddh | Monge e diretor do centro de ioga Shri Jasnath Asan

“O ioga é a ciência da vida”

Para alcançar a paz, Surajnath Siddh, diretor do centro Shri Jasnath Asan, recomenda praticar ioga. Para ele, essa disciplina tem caráter “científico”.

Texto: Guadalupe Rodríguez y Patricia Gardeu | Fotografias: Kreativa Visual | Vídeo: Kreativa Visual

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onhecimento espiritual e da vida, cura, conselhos e apoio psicológico e espiritual.” Estes são alguns dos serviços disponíveis no Shri Jasnath Asan, um dos ashram mais antigos da região de Marwar. Quem dá detalhes sobre as atividades do lugar é Surajnath Siddh, monge e diretor deste centro situado na aldeia de Panchla Siddha, no Rajastão.

Um espaço de retiro e meditação, com mais de 500 anos de história, que oferece aulas de ioga e meditação. Ali, também há ações sociais voltadas para a comunidade, o que inclui a distribuição de refeições gratuitas e bolsas de estudo para crianças.

“Se o visitante quiser ajudar a si mesmo, será bem-vindo.”

“Os ashram são centros espirituais e, para continuar com essa energia, devemos manter a serenidade e evitar muito ruído”, responde Surajnath Siddh quando perguntado sobre a compatibilidade do turismo com a paz espiritual. “Quando os visitantes chegam, fazemos uma avaliação e perguntamos por que vieram até aqui, qual sua intenção, o que querem aprender… Se quiserem ajudar a si mesmos, serão bem-vindos.”

A ioga é o eixo central do espaço, uma disciplina que o diretor define como “científica, sistemática, com suas técnicas e métodos”. Neste âmbito, também é importante o estilo de vida de quem a pratica: “Prestar especial atenção a comportamentos, ao que se come e ao que se bebe”. “É a ciência da vida, uma boa ferramenta para conseguir estar física e mentalmente saudável e em paz.”

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Panchla Siddha. Via - Khimsar, Dist. Nagaur, Rajasthan
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