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Grã-Bretanha através do espelho

Gales, Oxford, a ilha de Wight e o nordeste da Grã-Bretanha serviram de inspiração para Lewis Carroll, o autor de Alice no país das maravilhas
H
á sem dúvida algo de que podemos ter a certeza e é que o gatinho branco não teve absolutamente nada a ver com todo este enredo…” Assim começa Alice Através do Espelho, a continuação de Alice no país das maravilhas, cuja versão cinematográfica vai ser estreada pela Disney. O que teve a ver, e muito, com a criação da famosa obra foi Oxford. Charles Lutwidge Dodgson (Lewis Carroll) conheceu Alice Liddell nesta cidade universitária britânica. O seu pai, o reverendo Henry Liddell, mudou-se para aí como capelão do colégio universitário Christ Church, onde Carroll dava aulas de matemática. “Oxford é o lar inquestionável do país das maravilhas.” – assegura David Gibb, porta-voz do The Story Museum. “A influência é generalizada; se procurar com cuidado pode encontrá-la por toda a Oxford.”
A praia de Whitby poderia ser o cenário do poema A morsa e o carpinteiro.

Animais dissecados

O Museu de História Natural da Universidade de Oxford guarda um exemplar dissecado do extinto dodó, que aparece no livro. Em Suderland garantem que o poema A morsa e o carpinteiro se inspirou na morsa dissecada que conservam no museu da cidade.

Se o cineasta Tim Burton tivesse procurado inspiração nos cenários reais onde Carrol passou a vida, devia ter começado pelo início, como disse o Rei Branco a Alice. Mais concretamente, pelo rio Tamisa, onde o diácono Dodgson inventou uma história para entreter as três meninas, enquanto excursionavam num barco a remos. Alice gostou tanto que lhe pediu para a escrever.
O gato de Cheshire é um dos personagens mais conhecidos desta história. A cabeça talhada em pedra de um gato sorridente encontra-se na igreja de São Pedro na aldeia de Croft-on-Tees, perto de Darlington. Carroll viveu aí quando o seu pai era pároco na igreja. O nome do gato pediu-o emprestado ao condado a que pertence Daresbury, a cidade natal de Carroll, perto de Liverpool, onde podemos visitar o Lewis Carroll Centre e uma exposição sobre a sua obra. Para encontrar documentos e objetos da sua propriedade, é necessário ir até Guildford, onde está sepultado. Lewis Carroll morreu na casa familiar, The Chestnuts, que comprou para as suas irmãs solteiras.
Do exemplar do extinto dodó de Madagascar, do Museu de Historia Natural da Universidade de Oxford, só se conservaram a cabeça e as patas.
A rota pelos cenários da vida de Carroll inclui a ilha de Wight, onde passava as férias. Gostava de passear pela praia de Sandown e de visitar a fotógrafa Julia Margaret Cameron na Baía Freshwater. Não muito longe, ao norte de Gales, veraneava a família de Alice. Em Llandudno construíram uma casa a que chamaram de Pen Morfa, transformada agora no hotel St. Tudno.
Lewis Carrol incluiu a Alice’s Shop na sua obra com o nome de Old Sheep Shop.
Depois de casada, Alice viveu a maior parte da sua vida em Lyndhurst, descrevendo o lugar como: “O país das maravilhas finalmente tornado realidade.”
A história em quadrinhos “Alice em Suderland”, de Bryan Talbot, cita que Carroll passou anos a imaginar as histórias e as personagens dos dois livros. Talbot destaca o tempo que passou no nordeste da Grã-Bretanha. Em Suderland vivia a sua irmã Mary e ele deu também aulas de matemática em Whitby, onde publicou o seu primeiro poema. Perto daí, em Whitburn Hall, vivia Sir Hedworth Williamson, um familiar de Alice. Lewis Carroll costumava jogar críquete em sua casa, onde nos campos viviam coelhos brancos. “Chegarás sempre a algum lado, se caminhares o suficiente” diz o gato de Cheshire. Se caminhar pela Grã-Bretanha, chegará sempre à Alice no país das maravilhas.

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